Guimarães revoluciona gestão de resíduos em projeto piloto
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Guimarães revoluciona gestão de resíduos em projeto piloto

Guimarães revoluciona gestão de resíduos em projeto piloto

Viatura elétrica da Vitrus vai recolher resíduos porta a porta em diferentes momentos do dia.

O Centro Histórico de Guimarães vai testar, já a partir de janeiro, um sistema piloto de gestão de resíduos urbanos assente no princípio utilizador-pagador, ou seja, o cidadão passa a pagar apenas pela quantidade de lixo indiferenciado que produz.

O sistema PAYT (pay-as-you-throw), apresentado publicamente no último sábado, foi desenvolvido conjuntamente pela Câmara Municipal de Guimarães e a Vitrus Ambiente.

Atualmente, a tarifa do lixo é indexada ao consumo de água, com este projeto, os utilizadores deste novo sistema pagarão apenas pela quantidade de lixo que não reciclaram. O objetivo é que venham progressivamente a pagar menos pelos seus resíduos, reciclando mais.

Este projeto tem no horizonte a candidatura da cidade berço a Capital Verde mas pretende acima de tudo despertar moradores e comerciantes do Centro Histórico para a importância da reciclagem, em nome da sustentabilidade ambiental.

A cidade de Guimarães prevê tornar-se exemplar na gestão dos resíduos e com a adesão dos utilizadores ao sistema a autarquia prevê reduzir significativamente a quantidade de resíduos indiferenciados recolhidos.

O presidente da Câmara Municipal, Domingos Bragança elogiou o trabalho desenvolvido pelas entidades envolvidas no projeto, reforçando que o novo sistema foi pensado para as pessoas. “É preciso explicar que o que estamos a fazer é para melhorar o ambiente do nosso território que se pretende amigo das pessoas”, referiu o autarca, salientando a “inteligência criativa” das pessoas envolvidas neste projeto.

Por seu lado, o vereador do Ambiente da Câmara de Guimarães e presidente do Conselho de Administração da Vitrus, Amadeu Portilha, apelou à adesão dos vimaranenses sublinhando que o sucesso deste novo modelo depende, em grande medida, da colaboração dos cidadãos. “O projecto PAYT só será bem sucedido se tivermos a vossa colaboração”, enfatizou. Apesar de pioneiro em Portugal este sistema já está implementado em vários países do norte da Europa que, desse modo, reduziram os seus resíduos em mais de 30%.

Durante este primeiro ano de fase piloto, a Vitrus vai monitorizar todo o processo, avaliando a necessidade de cada um dos moradores e comerciantes.

Como funciona?

No lançamento do projeto, em dezembro, a Vitrus vai distribuir gratuitamente mini ecopontos para resíduos recicláveis (vidro, plástico, cartão e indiferenciado) e sacos próprios para a deposição de lixo indiferenciado, sendo que apenas estes serão recolhidos.  Posteriormente, os sacos poderão ser adquiridos nas instalações da Vitrus ou diretamente na viatura.

Em vez de depositarem os seus resíduos à porta e/ou nos equipamentos urbanos, os moradores e comerciantes do centro histórico passarão a entregar os seus resíduos ao colaborador da Vitrus que fará recolhas diárias, através de uma viatura elétrica, em horário já definido (07h30, 09h30, 13h30, 15h30, 19h30, 21h30 e 00h30 e às sextas e sábados será efetuada uma passagem extra às 02h30). Fora destes horários será expressamente proibido depositar lixo na rua, estando previstas ações de fiscalização.

Em caso de necessidade de uma recolha extra, estará disponível um número verde para a requisitar.

O Administrador Executivo da Vitrus, Daniel Pinto, destacou a proximidade que a Vitrus pretende vir a estabelecer com todos os residentes e comerciantes do Centro Histórico de modo a satisfazer todas as necessidades. “O projeto não é estanque. Estaremos sempre recetivos a melhorar as nossas soluções por forma a que os utilizadores se sintam servidos e adiram ao novo sistema”, assegurou.

Vimágua deixa de cobrar tarifa do lixo

Com a implementação do sistema PAYT (pay-as-you-throw), a Vimágua deixará de cobrar aos utilizadores do Centro Histórico a tarifa do lixo sendo que a previsão é a de que os moradores e comerciantes passem a pagar menos do que atualmente pelo tratamento dos lixos que produzem. “Ainda há 30% de resíduos indiferenciados que poderiam ir para o ecoponto. Se conseguirmos reduzir este valor significará que as pessoas estarão a reciclar mais, logo pagarão menos”, referiu Dalila Sepúlveda, técnica da Câmara de Guimarães e autora do projeto “Pay-As-You-Throw”, distinguida em 2014 com o Prémio “Obra Escrita Original Green Project Awards”.

Os utilizadores do Centro Histórico passarão a pagar por cada saco de lixo recolhido, sendo que como a recolha dos materiais recicláveis é gratuita, quando mais os utilizadores reciclarem, menos vão pagar. 

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